| A supervisão na visão transpessoal – O despertar da sabedoria | |
| Rosana Machado CRP 06/34689-1 Supervisora Clínica |
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A prática da supervisão tem por objetivo desenvolver e estimular o raciocínio clínico nos profissionais da área da saúde (psicologia, enfermagem, fonoaudiologia etc.).
Através da experiência da supervisão, durante a graduação, o aluno inicia o desenvolvimento prático de seu papel profissional, frequentemente dando continuidade as discussões clínicas ao se formar, com o auxilio de um profissional, o supervisor, que favorece a reflexão teórica-prática .
Entrar no mercado de trabalho, abrir um consultório ou até mesmo trabalhar em clínicas sem experiência, desperta muitas inseguranças, medos, fantasias e frequentemente o recém formado busca se aprimorar através de cursos de especialização ou supervisões em consultórios particulares com profissionais que estabeleceram um bom vínculo ou uma identificação durante sua graduação.
De um modo geral, podemos considerar que a supervisão é um espaço de acolhimento onde o profissional é auxiliado a compreender seu cliente de modo que suas possibilidades de atuação e leitura se ampliam, para que ele possa intervir na realidade e se aprimorar profissionalmente.
Este aprimoramento refere-se tanto a aspectos teórico-técnicos quanto aos questionamentos que podem ser influenciados na relação com seu cliente ou em questões do cotidiano do psicoterapeuta.
Por exemplo, temáticas com medo da morte, dificuldade em lidar com dinheiro, medo de errar, fazem parte das ansiedades que acompanham nos psicoterapeutas e a todos nós enquanto seres humanos.
Olhar para a pessoa enquanto ser um ser integral: corpo – mente – espírito, é um dos princípios da Transpessoal e uma constante na supervisão. Somos um ser cósmico universal.
A Psicologia Transpessoal estuda os diferentes níveis de consciência e sua interação com nosso sistema de crenças, valores, atitudes. Compreende também, as experiências que estão além do ego (que é o eu, o senso de identidade do indivíduo) considerando então um senso de identidade mais amplo que vai além dos aspectos pessoais e pode ser experimentados nas práticas meditativas, de visualização, sonhos, exercícios transpessoais etc.
Consequentemente a Supervisão Transpessoal insere em sua metodologia não apenas os aspectos dinâmicos da relação terapeuta x cliente ou supervisionando x supervisor vai além.
A Supervisão Transpessoal tem como proposta despertar a sabedoria presente em cada um dos participantes, reconhecendo os talentos individuais, as crenças, que estão inseridas na sua prática clínica a partir do seu próprio olhar como observador ativo e transformador de seu cotidiano.
Entendemos que a natureza sutil do ser humano é potencialmente pura e iluminada e em seu equilíbrio vibramos amor, bondade e compaixão. Alcançar este equilíbrio é possível através do auto conhecimento e pode ser estimulado na supervisão através da aquisição de leituras, trocas de experiências profissionais e o despertar das potencialidades, que muitas vezes o próprio terapeuta desconhece a respeito de si mesmo.
Podemos afirmar que na Supervisão Transpessoal o supervisionando é incentivado e estimulado à:
- identificar os aspectos que não foram desenvolvidos em sua atuação e é auxiliado a transformá-los através das práticas que são utilizadas na psicoterapia transpessoal e que neste contexto é dirigido para o foco profissional, em seu processo;
- reconhecer seus talentos sem se aprisionar ou apegar, de modo que se desenvolva integralmente;
- observar e perceber seus aspectos pessoais identificando de que maneira esses aspectos influenciam seu trabalho olhando para seu sistema de crenças e valores;
- compreender o ser humano através das dimensões corpo – mente – espírito, entendendo que como psicoterapeuta exercemos o papel de facilitador ou um instrumento de um Ser que está em constante evolução, assim como nós;
- considerar a dimensão espiritual através da conecção com o divino, sem interferir na vida religiosa do cliente;
- enxergar que na profissão, assim como na vida, não existem erros, mas experiências que nos levam a um constante aprendizado.
Enxergarmos o supervisionando, como uma pessoa que em seu desequilíbrio vive angustia, ansiedades, medos, apegos. Entretanto, ao propiciarmos a vivência da unidade, da não fragmentação através da visão transpessoal, com sua metodologia e técnicas, alcançamos a serenidade e a harmonia que pode ser considerado o estado iluminado, de inspiração e paz necessário para nossa vida e imprescindível para trabalharmos com a cura ou melhor a evolução do Ser.
Podemos concluir que a experiência da supervisão transpessoal reflete para a além da vida profissional, pois embora o olhar seja para este aspecto, reconhecemos o Ser na sua essência plena de sabedoria e auxiliamos neste despertar.