| Constelação Familiar Sistêmica | |
Rosana Machado |
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“O que tem grandeza toca, mas não se deixa apreender. Permanece um mistério. Quem tenta analisá-lo para ganhar um conhecimento exato guarda apenas as cinzas do fogo”. Bert Hellinger |
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Nossa vida é influenciada por dinâmicas familiares inconscientes que podem interferir diretamente em nosso destino. Ou seja, o que acontece a uma pessoa da família, pode ser causado pela ação de outras, distantes no tempo, mas presentes na memória de cada um, no que chamamos de alma familiar ou consciência familiar.
Podemos, então, compreender que acontecimentos marcantes escrevem nossa história pessoal e também a de nossa família, sendo que através da constelação familiar sistêmica observamos as várias gerações influenciando nossa vida.
As atitudes amorosas de nossos antepassados são saudáveis, enquanto que, as más ações, modificam o campo energético do grupo e em especial, da família. Isso traz, por conseqüência, gerações posteriores a arcar com este preço – o campo energético - através dos emaranhados familiares tão comuns em nossa vida.
Por má ação compreendemos a ausência de respeito, por exemplo, enriquecer de forma duvidosa, trapaceando ou roubando; pertencer a uma instituição com a função de matar (exército); atitudes de violência; negar sua religião ou país; prejudicar alguém. Herdamos doenças, sentimentos e dificuldades através dos emaranhados, que impedem de nos sentirmos integrados e seguros para vivermos com uma sensação de estar de bem com o mundo.
Recebemos de nossos pais, avós e familiares um sistema de crenças. Através deles, de nossa cultura e religião, estamos inseridos a um campo de força que pertencem a nossa família e também a nós.
No campo energético que compõe uma família, assim como o grupo ao qual pertencemos (por exemplo, a cultura, a nação, a religião), existe uma consciência comum e inconsciente, um movimento da alma, que não permite que alguém seja excluído, rejeitado ou esquecido. Quando isto ocorre, a pressão da consciência familiar ou do coletivo, que é inconsciente, escolhe alguém para representar o excluído.
Este é o princípio que norteia a técnica da Constelação Familiar Sistêmica e que foi percebido pelo seu criador, Bert Hellinger, há 30 anos.
Por amor ao grupo ao qual pertence, o indivíduo deixa de viver a própria vida, encontrando-se emaranhada com um destino estranho. Os emaranhamentos podem vir à luz através da Constelação. A solução segue o mesmo princípio: o que esteve excluído é incluído, recebendo um lugar na alma de cada um e na família.
O objetivo da Constelação Familiar Sistêmica é ajudar a trazer uma solução para o que está excluído ou fora da ordem do amor. O amor, assim como a vida, é uma força transformadora que flui quando todos os membros do sistema familiar são reconhecidos, honrados e respeitados em seus devidos lugares. Tendo esta clareza e simplesmente dizendo sim, estamos libertos para viver em paz a nossa própria vida.
Desta maneira estaremos obedecendo a lei do amor: compreendendo que o amor puro, isento de intenção ou julgamento, está presente na alma. E que as ordens do amor que não são respeitadas podem levar o indivíduo ao sofrimento.
Tão importante quanto o amor são as ordens deste que, ao serem observadas e contempladas, nos auxiliam a caminhar na vida. E para poder compreendê-las, assim como as desordens, é necessário saber quem faz parte da família através desta concepção.
“Na família, as crianças fazem parte. Todas as crianças, inclusive as que morreram (natimortas ou abortadas), fazem parte. Acima delas, no próximo nível os pais e seus irmãos, ou seja, os tios e tias, apenas os irmãos biológicos dos pais, não os seus parceiros e filhos. No próximo nível os avôs pertencem à família, porém não os seus irmãos. Apenas os avós. E atrás deles os bisavós. Estes são os parentes biológicos.
No entanto, também fazem parte dessa família algumas pessoas que não são parentes biológicos. Em geral, são todos aqueles que cederam um espaço para alguém da família, por exemplo, parceiros anteriores que abriram espaço para parceiros posteriores e que também cederam espaço para os filhos de um relacionamento posterior. Por isso, eles fazem parte da família. Observa-se que pertencem à família através do fato de, mais tarde, serem representados por crianças do relacionamento posterior.
Todos aqueles a cujo custo alguém da família obteve uma vantagem também fazem parte, por exemplo, quando alguém morreu cedo e assim outros se tornaram seus herdeiros. Os herdeiros tiveram uma vantagem através da morte daquele que morreu cedo. Portanto, ele faz parte, precisa ser respeitado como alguém que pertence à família. Caso contrário, ele também será representado por uma criança mais tarde.”
(Trecho do livro Histórias de Amor. Autor: Bert Hellinger)
Com as referências acima, que tratam das pessoas que pertencem a um sistema familiar, podemos construir alguns critérios para constatar a necessidade de um trabalho sistêmico, os quais:
Desta maneira, podemos observar que temos uma consciência inconsciente à qual liga os membros de um sistema e impõe as seguintes ordens ou leis que Bert Hellinger chamou de
as leis do Amor:
1ª lei: Pertencimento, igual direito de pertencer. Cada membro da família e estirpe tem o mesmo direito de pertinência, também os que faleceram precocemente ou os natimortos, assim como os deficientes e os maus. Os assassinos são uma exceção. Eles partem de seu sistema familiar a juntam-se às suas vitimas, onde encontram paz.
2ª lei: Hierarquia. Quem vem primeiro recebe o amor primeiro, ou seja, o membro anterior tem precedência sobre os posteriores. Por isso, quando um membro posterior se eleva sobre um anterior, ele paga muitas vezes através do fracasso ou da queda.
3ª lei: O equilíbrio entre o dar e receber. Vantagens à custa de outro serão compensadas em uma geração posterior.
Esta consciência inconsciente pode ser compreendida como o sentido com o qual percebemos imediatamente o que devemos fazer, sendo que na consciência familiar temos os registros do que faz parte, na consciência sistêmica temos o acesso e envolvendo a Vida temos a Consciência Superior, o Todo transcendente que está presente também na técnica da Constelação Familiar Sistêmica.
Há três diferentes consciências
A primeira delas, a consciência pessoal, é estreita e tem o seu alcance limitado. Através de sua diferenciação entre o bem e o mal reconhece o pertencer só de alguns e exclui outros.
A segunda, a consciência coletiva, é mais ampla. Também defende os interesses dos que foram excluídos pela consciência pessoal. Por isso, está freqüentemente em conflito com a consciência pessoal. Contudo, essa consciência também tem um limite porque abrange somente os membros dos grupos que dependem dela.
A terceira, a consciência espiritual, supera os limites das outras consciências que colocam limites através da diferenciação entre bom e mau e da diferenciação entre pertencimento e exclusão. Esta consciência pode nos inspirar para agirmos com benevolência e compaixão.
A Constelação Familiar Sistêmica traz a luz e revela o que está oculto em nossas relações, mostrando onde estamos emaranhados e quais são os passos para as soluções de amor e reconciliamento, encontrando deste modo, a cura na alma. Todos esses passos estão relacionados ao respeito pelos outros.
Aspecto Prático - metodologia
Frequentemente as Constelações familiares são realizadas através de um grupo de trabalho porém, podem também ser conduzida no atendimento individual com o uso de bonecos (playmobil), almofadas, cadeiras ou outros recursos.
Inicialmente o facilitador esclarece o problema, a questão a ser trabalhada. A visão que o orienta é a fenomenológica, onde observa os fatos, naquilo que é sem interpretar ou julgar ou até mesmo explicar.
Em seguida, o cliente escolhe entre os participantes os membros da família que foram solicitados pelo terapeuta, podendo ser a família de origem o cliente, o pai e mãe ou a atual o cliente e a esposa ou marido e – ou filhos. No entanto, este não é um modo obrigatório, pois cada Constelação é única.
As pessoas escolhidas entre os participantes são os representantes. O cliente os coloca em um espaço, um em relação ao outro.
Sem saber informações específicas, os representantes sentem como as pessoas que representam e são orientados para se deixar guiar por este campo de energia com movimentos brandos e sem fala.
Durante a Constelação o campo energético é intenso, profundo e os movimentos que se expressam são frequentemente chamados de “movimentos da alma”. Esses movimentos podem levar uma constelação até uma solução sem que se pronuncie uma palavra.
Ou frases de amor são solicitadas para serem ditas pelos representantes, onde o facilitador que observa o campo e o caminho da reconciliação, ou não, alcançando o que for possível sem se prender.
“O que ocorre nas Constelações familiares está em conexão com uma totalidade maior, com um campo espiritual em que todos os membros familiares estão presentes, em ressonância com todos. Todos podem estabelecer uma relação com todos, nem sempre de modo consciente, porém através de seus comportamentos e sentimentos. O quanto isso é profundo revela-se passo a passo através das Constelações familiares.”
( Trecho extraído do livro O amor do espírito – autor Bert Hellinger)
Sugestão de leitura:
Constelações Familiares – Bert Hellinger e Gabriele ten Hövel. Editora Cultrix
As Constelações Familiares em sua vida diária - Joy Manné. Editora Cultrix