A psicoterapia e a infância – algumas considerações

Rosana Machado
Psicoterapeuta CRP 06/34689-1 - Psicóloga Infantil

Freqüentemente a psicoterapia infantil é chamada de ludoterapia pois o acompanhamento psicológico com a criança é realizado através do lúdico, da brincadeira.

É com o brincar que a criança manifesta seu mundo interior, expressando e elaborando, deste modo, seus sentimentos, valores e dificuldades.

O lúdico é o instrumento, a ponte que favorece com que a criança encontre caminhos, alternativas à resolução de seus conflitos. Isto significa que o próprio brincar oferece a possibilidade da criança experimentar o mundo nos aspectos internos e de relações.

Crianças saudáveis brincam, são espontâneas e criativas.

Crianças que são amadas são virtuosas; desenvolvem-se plenamente, o que não impede de manifestar uma dificuldade maior em algum momento do seu desenvolvimento.

Alguns sinais podem ser observados como uma referência para buscar ou não o auxílio de um profissional, tais como:

- pesadelos freqüentes (terror noturno);
- medos, inseguranças buscando exageradamente a aprovação dos pais;
- dificuldade em fazer escolhas ou aceitar opiniões;
- dificuldade de se relacionar, tendendo ao isolamento;
- timidez excessiva;
- ciúme ou sentimento de apego e posse que a impedem de viver o compartilhar;
- mentiras;
- manias;
- dificuldade no aprendizado;
- dificuldade em aceitar limites ou regras.

Porém cabe salientar que a criança em seu desenvolvimento experimenta e passa por fases e alguns exemplos que foram citados podem estar relacionados a uma determinada etapa de seu crescimento ou a uma expressão reativa como o nascimento de um irmão ou a perda de um animal de estimação.

Desta forma, ninguém melhor do que os pais para entendê-la inclusive acolhendo e ensinando sempre que necessário.

Quando fica difícil cabe buscar uma orientação pois infelizmente não existe uma escola para ser pai ou mãe.

Ao chegar ao consultório é comum o pai se culpar ou se questionar:

Onde foi que eu errei?

Embora a criança possa expressar um problema familiar, isto não é regra. E a reflexão em relação ao desempenho de seu papel como pai ou mãe já é por si só muito saudável.

Como nos diz o provérbio chinês, não há família que possa ostentar o cartaz: Aqui não temos problemas.

Ter problemas não significa que precisam existir culpados ou que seu filho ficará traumatizado.

Acolher cada uma de nossas experiências é um posicionamento diante da vida. Assim como aprender com elas e também com nossos filhos sem perdermos de vista que como pais temos a função de educar, orientar, transmitir valores e amar.

Ou seja, podemos valorizar as conquistas que a criança realiza a cada dia lembrando que ela não tem a obrigação de responder sempre adequadamente, por isso ela é criança, para aprender e crescer.

Nenhuma criança vem com manual de instrução ou um botão automático de auto-educação. Elas aprendem, com os exemplos, com a observação.

E assim como cada um de nós, cada criança é única, um Ser em desenvolvimento percorrendo a grande jornada.

Um Ser que pode vivenciar cada etapa de seu desenvolvimento construindo a autoconfiança, o amor por si mesmo e pela vida.

Esses são os principais aspectos que podemos despertar em nossos filhos e que vem sendo negligenciado muitas vezes por desconhecimento ou despreparo.

A principal tarefa dos pais não é pagar uma excelente escola, um curso de natação ou oferecer lazer. A principal função dos pais é transmitir valores morais envolvendo seu filho em amor. O amor que educa, que diz não, que prepara para a vida.