| A psicoterapia e a infância – algumas considerações | |
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Rosana Machado |
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Freqüentemente a psicoterapia infantil é chamada de ludoterapia pois o acompanhamento psicológico com a criança é realizado através do lúdico, da brincadeira.
É com o brincar que a criança manifesta seu mundo interior, expressando e elaborando, deste modo, seus sentimentos, valores e dificuldades.
O lúdico é o instrumento, a ponte que favorece com que a criança encontre caminhos, alternativas à resolução de seus conflitos. Isto significa que o próprio brincar oferece a possibilidade da criança experimentar o mundo nos aspectos internos e de relações.
Crianças saudáveis brincam, são espontâneas e criativas.
Crianças que são amadas são virtuosas; desenvolvem-se plenamente, o que não impede de manifestar uma dificuldade maior em algum momento do seu desenvolvimento.
Alguns sinais podem ser observados como uma referência para buscar ou não o auxílio de um profissional, tais como:
- pesadelos freqüentes (terror noturno);
- medos, inseguranças buscando exageradamente a aprovação dos pais;
- dificuldade em fazer escolhas ou aceitar opiniões;
- dificuldade de se relacionar, tendendo ao isolamento;
- timidez excessiva;
- ciúme ou sentimento de apego e posse que a impedem de viver o compartilhar;
- mentiras;
- manias;
- dificuldade no aprendizado;
- dificuldade em aceitar limites ou regras.
Porém cabe salientar que a criança em seu desenvolvimento experimenta e passa por fases e alguns exemplos que foram citados podem estar relacionados a uma determinada etapa de seu crescimento ou a uma expressão reativa como o nascimento de um irmão ou a perda de um animal de estimação.
Desta forma, ninguém melhor do que os pais para entendê-la inclusive acolhendo e ensinando sempre que necessário.
Quando fica difícil cabe buscar uma orientação pois infelizmente não existe uma escola para ser pai ou mãe.
Ao chegar ao consultório é comum o pai se culpar ou se questionar:
Onde foi que eu errei?
Embora a criança possa expressar um problema familiar, isto não é regra. E a reflexão em relação ao desempenho de seu papel como pai ou mãe já é por si só muito saudável.
Como nos diz o provérbio chinês, não há família que possa ostentar o cartaz: Aqui não temos problemas.
Ter problemas não significa que precisam existir culpados ou que seu filho ficará traumatizado.
Acolher cada uma de nossas experiências é um posicionamento diante da vida. Assim como aprender com elas e também com nossos filhos sem perdermos de vista que como pais temos a função de educar, orientar, transmitir valores e amar.
Ou seja, podemos valorizar as conquistas que a criança realiza a cada dia lembrando que ela não tem a obrigação de responder sempre adequadamente, por isso ela é criança, para aprender e crescer.
Nenhuma criança vem com manual de instrução ou um botão automático de auto-educação. Elas aprendem, com os exemplos, com a observação.
E assim como cada um de nós, cada criança é única, um Ser em desenvolvimento percorrendo a grande jornada.
Um Ser que pode vivenciar cada etapa de seu desenvolvimento construindo a autoconfiança, o amor por si mesmo e pela vida.
Esses são os principais aspectos que podemos despertar em nossos filhos e que vem sendo negligenciado muitas vezes por desconhecimento ou despreparo.
A principal tarefa dos pais não é pagar uma excelente escola, um curso de natação ou oferecer lazer. A principal função dos pais é transmitir valores morais envolvendo seu filho em amor. O amor que educa, que diz não, que prepara para a vida.