| Falando sobre a vergonha | |
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Rosana Machado |
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“Vocês não precisam ser perfeitos para se respeitarem. Basta ter uma atitude realista com relação às imperfeições e adotar uma atitude construtiva em relação a elas.
Quanto mais se firmar o respeito próprio, menos vocês terão necessidade do respeito dos outros, pois se sentirão seguros interiormente.”
O Guia
Frequentemente o tema vergonha é abordado em uma sessão de psicoterapia e até mesmo socialmente temos muito a falar.
Algumas crenças permeiam a vergonha, por exemplo: está tudo bem quando estamos rindo de nós mesmos. Será?
Intelectualmente sabemos que não somos perfeitos, mas nem sempre esta consciência envolve nosso coração. Além disso, observo que a vergonha está relacionada aos nossos pensamentos destrutivos ou negativos, tais como: não tenho conserto, não há nada a fazer.
Refletir sobre a vergonha me fez lembrar do dia em que fui a uma loja de perfumes, junto de duas amigas.
Nesta época eu me via como uma pessoa desastrada e ao entrar na loja de fragrâncias, me preocupei em não esbarrar em nada.
As prateleiras eram de vidro, haviam muitos potes de vidro, aromatizadores etc...
Separei-me de minhas amigas e um vidro hexagonal de uns 15cm chamou minha atenção. Peguei logo o da frente fazendo com que a prateleira juntamente com os outros frascos fossem ao chão. Senti-me ruborizada. Por alguns instantes desejei ser invisível.
Nestes momentos as almas boas sempre nos amparam. Uma vendedora acercou-se de mim e falou que aquela prateleira estava improvisada. Ao contrário das outras que eram fixas, aquela estava sendo sustentada pelo frasco que retirei.
Coloquei-me à disposição para pagar o prejuízo, mas na verdade nenhum vidro se quebrou.
Na época observei que se eu tivesse entrado na loja com o meu coração em paz, provavelmente teria vivido outra experiência. Ou seja, nossas crenças constroem as situações que vivemos.
Podemos considerar que a vergonha boa é a que nos leva a refletir sobre nossas vidas acolhendo os sentimentos se manifestam interiormente em qualquer ser humano.
Como cada um vai expressá-los está associado as crenças e a imagem que construímos de nós mesmos.
Aqui no ocidente a vergonha está diretamente relacionada ao sentido do que é correto, porém é fundamental olharmos além deste conceito que é um excelente promotor de culpa.
Anos atrás por alguns instantes quis ser invisível e hoje acolho as experiências em que ainda me constranjo aceitando minha humanidade, exercitando minha humildade e me perdoando. Observo que esta atitude comigo mesma se reflete no convívio com as pessoas, numa maior aceitação, num olhar mais profundo para a verdadeira manifestação do Eu verdadeiro e sábio.
Ser educada e amorosa está muito distante de manter as regras sociais que muitas vezes podem ser as armadilhas que nos engessam, e assim nos impedem de trazer para a nossa consciência que temos escolha, em todas as situações da vida. Somos livres para percorrer o nosso caminho.
Quando observarmos nossas experiências podemos compreender e nos transformar.
Concluindo diria que o aspecto ruim da vergonha é senti-la e paralisar sem perceber que podemos mudar qualquer sentimento que trás dificuldades em nosso cotidiano.
Refletindo sobre o desastre da loja de vidros eu poderia apenas arquivá-lo em algum lugar de minha mente e observar colocando luzes nesta situação pude reconhecer que a insegurança, o medo de fazer algo errado me levou ao “desastre” e a transformação, pois hoje não tenho mais medo de entrar em uma loja de louças e não me sinto desastrada.
Se você busca se transformar, inicie este processo escrevendo quais são as experiências que desencadeiam a vergonha e o quanto esta relacionado à auto-cobrança, a exigência de ser perfeito.
Observe qual é a emoção a ser iluminada e se proponha a dar pequenos passos para que isso ocorra.
Olhe para seus aspectos humanos com sinceridade e corajosamente.
Cada um de nós tem sempre um desafio a ser transformado e esta mudança ocorre com a aceitação e muitas vezes como o caminho das formigas, ou seja, devagar e sempre!