Religiosidade

Rosana Machado CRP 06/34689-1 Psicoterapeuta

Iniciarei este tema com algumas considerações e não pretendo esgotá-lo por ser profundo e envolver vários aspectos tais como: espiritualidade, fé, crenças, dogmas, energia, alma, transcendência, a cultura em que estamos inseridos, entre outros.

Em “O Ponto de Mutação”, Fritjoff Capra, nos conta que Deus é o pensamento inteligente do Universo e para muitas pessoas a espiritualidade, o Pastor, o Padre ou os Santos é o modo de nos conectarmos a Ele.

Podemos conceber Deus também como a luz interior presente em todos nós que se expressa através do amor. Esta visão independe da religião ou caminho espiritual que percorremos.

No meu entender, essa é a concepção da Psicologia Transpessoal.

Esta mesma visão fundamenta o Budismo. Somos seres iluminados e formados por vários “eus”, entre eles: “eu superior”, que nos orienta através do amor em nossa constante evolução; o “eu inferior” que expressamos em nossos desequilíbrios.

Em nosso caminho acessamos os aspectos do “eu inferior” através de emoções como a raiva, o medo e o apego. Mesmo nessas situações o amor se mantêm, pois somos amor em nossa essência. As experiências de desequilíbrio são vivenciadas por nós sermos humanos e todas elas podem ser transformadas a partir de nossa vontade e do trabalho interior presente em nosso autoconhecimento.

Recentemente participei de uma vivência dirigida pela Flavia Ribeiro com o tema Bhavagad Gita e que no próximo mês será trazido como um artigo.

Bhagavad Gita refere-se à Escritura Sagrada Indiana e traz ensinamentos a respeito da evolução espiritual.

Nesta experiência uma das pessoas compartilhou que sempre “conversou” diretamente com Deus e num determinado dia ao estar com os olhos inchados e encontrar com um amigo ele perguntou:


- O que aconteceu?

Ela Respondeu:

- Passei a noite brigando com Deus.

Então, ele respondeu:

Ah! Então é fácil, você estava errada!

Esta história ilustra vários aspectos que envolvem a religiosidade: confiança, entrega, fé, entre outros.

Acredito que só brigamos com Ele por confiarmos e por isso até alcançarmos um aprendizado podemos nos permitir brigar. Além disso, brigamos por insistir no que nós queremos, frequentemente por estarmos apegados a uma realidade o que dificulta ouvir o que Ele quer de nós nesta situação ou qual é o ensinamento.

Quando compreendemos alguns elementos que compõe o universo tais como: o amor, a abundância, movimento, mudança, aprendizados, fica mais fácil viver a vida com aceitação, serenidade e paz.

Bel César no artigo “Como viver de acordo com as leis do universo”, nos conta que as
“...leis físicas do universo são estudadas por cientistas, filósofos e religiosos e são à base da natureza da energia”. São três:

1ª tudo vibra
2ª porque tudo vibra é preciso fluir
3ª a energia de determinada qualidade ou vibração atrai uma outra qualidade ou vibração do mesmo tipo.

“O conhecimento destas três leis nos alerta para o fato de que cada um de nós possui um diapasão interior que está em constante ressonância com os outros. Para que esta ressonância seja harmoniosa, é preciso que saibamos aplicar estas três leis em nossa vida cotidiana”.

A meu ver, identificar e utilizar esse diapasão envolve confiança e fé, que caminham integradas quando estamos em harmonia. A confiança refere-se a nós fazermos a nossa parte, em qualquer situação e entregarmos o restante, pois existe sempre um aspecto que não é nosso, que diz respeito a como a vida vai prosseguir independente de nossos planos, objetivos e da nossa vontade.

Esse aspecto refere-se à entrega e só podemos praticar essa ação a partir de nosso interior, quando estamos plenos reconhecendo que já fizemos tudo que está ao nosso alcance.

Falar de entrega remete a fé que é a prática de enxergar o invisível, o sutil, o que está além de nós. Caminhar desta maneira é se permitir ser guiada pela sabedoria interior, caminhar com confiança.

Como nos diz o Guia “a confiança é a esperança no que há de vir”.

Para concluir, sugiro que você fique em silêncio, atitude que nos auxilia a ouvir nosso coração e se pergunte:

O que é fé?

Quais são meus apegos e medos?

Em que situação exercitou a entrega ao Universo?

Desenvolvi minha fé no decorrer desses anos compreendendo que se algo não é possível no nível material ou emocional podemos entregar ao Universo com o coração aberto para que haja as transformações necessárias, as que precisamos para viver e não necessariamente as que temos vontade de viver, mas as experiências onde encontraremos a Paz Verdadeira.

Assim nos ensinam os Mestres: Buda, Cristo, Ghandi, Krishna, Madre Teresa, Chico Xavier...

Referências bibliográficas:

Capra, F. – “O ponto de Mutação” – Ed. Cultrix

César, Bel – artigo “Como viver de acordo com as leis do Universo” publicado no site www.somostodosum.com.br

Guia Pathwork- Palestra nº210- não publicada

Jung, C. G.- “Psicologia do Inconsciente”- Ed. Vozes