A psicologia transpessoal

Rosana Machado
Psicoterapeuta CRP 06/34689-1

A Psicologia é a ciência que estuda os fenômenos intra e interpsíquicos, ou seja, nosso mundo interno e nosso mundo de relações.

A Psicologia Transpessoal, também conhecida como a quarta força da psicologia, se interessa por todos os fenômenos existentes incluindo os aspectos transcendentes. Enxerga, então, o homem através das dimensões corpo – mente – espírito.

A Psicologia ocidental, a partir da década de 1960, foi dividida em quatro grandes correntes denominadas forças:

1ª força: Behaviorismo ou Comportamental – criada por B. Watson, enfatiza o estudo do comportamento objetivo afirmando que somente o manifesto pode ser mensurável, replicável e observado em laboratório, tendo então, valor científico.

2ª força: Psicanálise – criada por Sigmund Freud, em seus estudos evidencia a importância do inconsciente. Sistematizou o psiquismo em id, ego e superego, dando prioridade as patologias e a limitação humana. Foi neste aspecto que seu principal discípulo, Jung, divergiu, dando continuidade aos seus próprios estudos após romper com Freud.
Ainda hoje, a teoria de Freud é reconhecida e validada tendo inúmeros seguidores. Outros estudiosos partiram de seus princípios e desenvolveram novas metodologias e compreensões sobre o psiquismo, criando assim, novas abordagens.

3ª força: Psicologia Humanista – criada nos Estados Unidos e na Europa na década de 1950, sendo formalizado como um movimento por Abraham Maslow, que é considerado seu fundador. Sua referência é o fenomenológico existencial onde o homem é visto como um ser criativo e capaz de realizar suas próprias escolhas, de se auto-realizar. Deste modo, a doença também pode surgir quando não utilizamos todo nosso potencial.

4ª força: Psicologia Transpessoal – podemos considerar que se refere quase que uma extensão da 3ª força, onde a partir da década de 1970, se reconheceu na psicologia, a importância do transcendental. Inicialmente foi chamada de Psicologia Transhumanista.

Em 1968, Victor Frankl, Stanislav Grof, James Fadiman e Antony Sutich uniram-se a Maslow e oficializaram a Psicologia Transpessoal, reconhecendo então, as dimensões espirituais da psique.

Curioso é que o termo transpessoal foi cultivado pela primeira vez por Jung, que é considerado um dos precursores da Psicologia Transpessoal.

A Psicologia Transpessoal tem como objeto de estudo os estados de expansão da consciência que se referem aos vários níveis de realidade e suas cartografias.

Busca-se a transcendência do ego, desta forma considerando as experiências que estão além das percepções dos órgãos sensoriais, além do mundo da aparência, onde a consciência pode se desidentificar caminhando além da fronteira do eu. Surgem então, as experiências do que está além, por isso transpessoal.

A compreensão do ser na psicologia transpessoal é holística e sistêmica. Holística por estudar o ser humano em sua totalidade o que inclui outras ciências, tais como: medicina, antropologia, teologia, física, química, biologia e educação.

O aspecto sistêmico se refere ao conceito de interdependência que reconhece o mundo onde tudo é energia, que funciona em harmonia através de um todo integrado, formando então, uma rede de inter-relações com os sistemas do universo.

Compreendemos então, que cada escola da Psicologia corresponde a um nível de realidade,
Sendo que, neste momento, a Psicologia Transpessoal se diferencia por considerar o aspecto espiritual essencial para as buscas individuais, coletivas e cósmicas. Sem o encontro com o sagrado, ou seja, a auto-transcendência, não ocorre a evolução.